Caneta Semavy, versão mais barata do Ozempic, chega às farmácias

September 6, 2026

Mercado de GLP-1 ganha novo concorrente nacional com semaglutida

Entrada da Mantecorp amplia disputa em um dos segmentos que mais movimentam a indústria farmacêutica e pode pressionar preços no mercado brasileiro

O mercado brasileiro de medicamentos à base de GLP-1 ganha um novo capítulo com a chegada às farmácias do Semavy, semaglutida produzida pela Mantecorp Saúde. Mais do que a entrada de uma nova marca, o movimento amplia a concorrência em um segmento que ganhou relevância estratégica para a indústria farmacêutica nos últimos anos.

O medicamento recebeu registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em julho e começou a ser comercializado em setembro. A semaglutida pertence à classe dos agonistas de GLP-1, que ganhou projeção mundial principalmente pelo uso no tratamento do diabetes tipo 2 e, em determinadas doses e indicações, no manejo da obesidade.

Disputa passa também pelo preço

Um dos principais pontos da estratégia comercial é o custo. Segundo informações divulgadas pela fabricante, a apresentação de 1 mg pode chegar a R$ 333 por caneta dentro do programa de benefícios da companhia, considerando determinadas condições de tratamento.

A empresa afirma que o valor representa desconto de até 67% em relação ao medicamento biológico utilizado como referência. O preço final, no entanto, pode variar de acordo com a farmácia e as condições comerciais.

A entrada de um concorrente com uma estratégia agressiva de preço pode aumentar a pressão competitiva em um mercado até então marcado pelo alto custo dos tratamentos.

Mercado estratégico para a indústria farmacêutica

A expansão dos medicamentos da classe GLP-1 transformou diabetes e obesidade em áreas prioritárias de investimento para grandes laboratórios. No Brasil, o aumento da procura também trouxe desafios relacionados ao acesso, à disponibilidade dos produtos e ao uso sem acompanhamento adequado.

O Semavy tem indicação aprovada para diabetes tipo 2 e exige prescrição médica. Pelas regras sanitárias em vigor, medicamentos agonistas de GLP-1 são vendidos com retenção de receita.

A Mantecorp informa ainda que o produto passou por estudo clínico de fase III com 314 adultos com diabetes tipo 2 durante 24 semanas, comparando eficácia e segurança com o medicamento biológico de referência.

Para o setor farmacêutico, a chegada de novos fabricantes tende a deslocar parte da discussão dos efeitos clínicos desses medicamentos para outra questão relevante: quem conseguirá transformar a crescente demanda por tratamentos com GLP-1 em um mercado mais competitivo e acessível ao consumidor brasileiro.