Itália coloca São Paulo no centro da expansão de negócios no Brasil e mira nova onda de investimentos

September 12, 2026

Missão liderada pelo vice-premiê Antonio Tajani reúne mais de 100 empresas e reforça estratégia para ampliar comércio, investimentos e integração industrial entre Brasil e Itália

Por Gabrielle Tricanico | ECONOMIA & BUSINESS | TELEBRAS NEWS

São Paulo se tornou nesta quarta-feira (9) o centro de uma ofensiva empresarial da Itália para ampliar sua presença no Brasil e na América Latina. O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, desembarcou na capital paulista à frente de uma delegação com mais de 100 empresas, em uma missão voltada ao comércio exterior, investimentos, inovação e formação de novas alianças industriais.

A dimensão da comitiva demonstra que a aproximação vai além da diplomacia. O Brasil ocupa posição estratégica para empresas italianas interessadas em ampliar negócios na América Latina, enquanto São Paulo aparece como principal porta de entrada por reunir o maior mercado consumidor do país, uma extensa base industrial, centros financeiros, empresas de tecnologia e infraestrutura logística.

Durante a agenda na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o debate se concentrou justamente nas possibilidades de transformar a relação bilateral em novos contratos, investimentos e projetos empresariais.

Acordo UE-Mercosul amplia horizonte para empresas

Um dos pontos que pode acelerar essa aproximação é o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul. A perspectiva de redução de barreiras comerciais tende a modificar a dinâmica das relações entre empresas dos dois blocos e ampliar a competitividade de determinados produtos.

Para a Itália, o Brasil representa não apenas um mercado para exportações, mas uma plataforma para produção e expansão na América Latina. Para as empresas brasileiras, o movimento pode significar acesso a tecnologia, capital, novos fornecedores e maior integração com cadeias produtivas europeias.

Entre os setores com potencial para avançar estão infraestrutura, energia, máquinas e equipamentos, indústria automotiva, saúde, farmacêutica, agronegócio, tecnologia e transformação digital.

A nova economia também entra nessa agenda. Inteligência artificial, fintechs, agritechs, cibersegurança, infraestrutura digital, biocombustíveis, energias renováveis e tecnologias voltadas à sustentabilidade aparecem entre áreas capazes de aproximar empresas brasileiras e italianas.

São Paulo disputa os investimentos

Para São Paulo, a movimentação representa uma oportunidade de captar uma parcela maior dos investimentos italianos destinados ao Brasil.

O estado possui uma característica particularmente importante nessa disputa: reúne grandes empresas e, ao mesmo tempo, uma extensa cadeia de pequenas e médias indústrias que podem estabelecer parcerias comerciais, tecnológicas e produtivas com companhias italianas.

O desafio será transformar missões empresariais e aproximações institucionais em investimento produtivo. Instalação de empresas, ampliação de fábricas, transferência de tecnologia, formação de joint ventures e geração de empregos são indicadores que determinarão o impacto econômico concreto dessa aproximação.

Também existe potencial para que empresas instaladas em São Paulo utilizem a parceria com grupos italianos como caminho para ampliar presença no mercado europeu.

Itália sinaliza continuidade mesmo após as eleições

A agenda econômica ocorre em um momento particularmente sensível para investidores: o Brasil atravessa o período eleitoral de 2026.

Tajani procurou afastar a possibilidade de o resultado das urnas alterar a estratégia italiana para o país. Questionado sobre as eleições presidenciais brasileiras, afirmou que a Itália manterá diálogo com quem for escolhido pelos brasileiros.

“Somos amigos do Brasil, independentemente do governo que os brasileiros escolherem. Quem quer que vença será nosso interlocutor”, declarou.

Para o mercado, a mensagem tem significado econômico. A Itália sinaliza que pretende construir uma relação de longo prazo com o Brasil e preservar canais comerciais e empresariais independentemente da configuração política que sair das urnas.

A passagem de mais de uma centena de empresas italianas por São Paulo reforça esse movimento. Mais do que ampliar exportações, a disputa agora está em definir onde serão realizados os próximos investimentos e quais empresas brasileiras conseguirão integrar as novas cadeias de negócios abertas pela aproximação entre Itália, Brasil e Mercosul.

Para São Paulo, o tamanho da oportunidade dependerá da capacidade de converter interesse internacional em capital produtivo, inovação, empregos e novos negócios.