Milão: alto custo da moradia amplia distância entre mercado de luxo e renda dos moradores

October 12, 2026

Cobertura anunciada por 13 milhões de euros contrasta com aluguel médio de 704 euros por um quarto; acesso à habitação desafia estudantes, trabalhadores e famílias.

Telebras News | Internacional

O custo da moradia em Milão, um dos principais centros econômicos da Itália, evidencia o contraste entre o mercado imobiliário de luxo e a capacidade financeira de quem precisa viver na cidade. Enquanto uma cobertura de 289 metros quadrados está anunciada por 13 milhões de euros, o aluguel de um quarto individual custa, em média, 704 euros mensais.

Localizada no Quadrilátero da Moda, região conhecida pela concentração de lojas de alto padrão, a cobertura possui terraço com vista para o Duomo. O preço pedido corresponde a aproximadamente 45 mil euros por metro quadrado. É uma oferta excepcional do segmento de luxo, que não representa a média do mercado nem uma transação concluída.

Para estudantes e trabalhadores que buscam apartamentos compartilhados, a realidade é outra. Segundo levantamento de Immobiliare.it Insights divulgado em agosto de 2026, Milão permanece como a cidade mais cara da Itália para alugar um quarto individual, apesar de uma redução de aproximadamente 3,8% no valor médio em relação ao ano anterior.

Moradia compromete parte expressiva do orçamento

Com aluguel mensal de 704 euros, o gasto anual chega a 8.448 euros, antes de alimentação, transporte e eventuais cobranças adicionais de condomínio e serviços.

Em uma simulação com renda líquida de 1.500 euros por mês, somente o quarto consumiria cerca de 47% do orçamento. Para quem recebe 2 mil euros, o comprometimento seria de aproximadamente 35%. Os exemplos dimensionam o custo, mas não correspondem a uma estimativa do salário médio de Milão.

A composição do contrato também exige atenção. Algumas ofertas de quartos acrescentam despesas condominiais ao aluguel anunciado, elevando o desembolso mensal e reduzindo o valor disponível para outras necessidades.

Diferenças entre bairros dificultam a compra

A localização tem peso decisivo no acesso à casa própria. Uma reportagem do Quotidiano Nazionale publicada em 2026, com referência ao professor Ezio Micelli, apresenta valores entre 3.197 e 11.226 euros por metro quadrado em diferentes regiões de Milão.

Aplicada a um imóvel de 60 metros quadrados, essa faixa representa, em uma comparação ilustrativa, valores próximos de 192 mil a 674 mil euros. A conta não inclui impostos, taxas, financiamento ou reformas e não substitui a avaliação de um imóvel específico.

O contraste mostra que a dificuldade de acesso à moradia precisa ser analisada para além dos anúncios milionários. Mesmo fora do segmento de luxo, a compra exige recursos elevados, enquanto o aluguel compartilhado pode absorver uma parcela significativa da renda.

Deslocamento entra na conta de quem procura alternativas

Buscar moradia nos municípios próximos é uma possibilidade, mas a economia com aluguel deve ser considerada junto com o custo do transporte e o tempo de viagem.

Um estudo de Immobiliare.it Insights divulgado em maio de 2024 identificou, pelos critérios adotados, apenas dez municípios do entorno nos quais uma pessoa sozinha poderia alugar um apartamento de dois cômodos com orçamento mensal de 652 euros. A pesquisa considerou localidades a até uma hora de Milão por transporte público. O resultado oferece contexto histórico e não representa os preços atuais.

A discussão sobre habitação em Milão envolve a relação entre renda, preços, oferta de imóveis e mobilidade. Para quem trabalha ou estuda na metrópole, a decisão sobre onde morar afeta também o tempo disponível, o acesso a serviços e a capacidade de manter o orçamento equilibrado.