Inflação passa do teto da meta e mercado eleva projeção pela quarta semana seguida; juros devem seguir em queda lenta

October 18, 2026

IPCA sobe 0,82% em setembro, puxado pela conta de luz, e acumula 4,58% em 12 meses. Boletim Focus prevê inflação de 5,22% no ano e Selic de 13,25% em dezembro

Da Redação | Telebras News
São Bernardo do Campo, 18 de outubro de 2026

A inflação brasileira voltou a acelerar e ultrapassou o limite da meta oficial. O IPCA de setembro subiu 0,82%, a maior taxa mensal desde março. O resultado ficou bem acima da expectativa do mercado, que esperava algo em torno de 0,60%.

Com isso, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,58%, acima do teto de 4,5% da meta. A meta central é de 3%. Em agosto, o acumulado estava em 4,22%. Os dados foram divulgados pelo IBGE em 9 de outubro.

Conta de luz foi a vilã do mês

O grupo Habitação foi o que mais pesou no índice. A energia elétrica residencial subiu 7,98% em setembro, depois de ter caído 7,63% em agosto. A principal explicação é o fim do Bônus de Itaipu, um desconto que havia sido aplicado nas contas de agosto.

Os transportes também pressionaram, com alta de 0,89%. As passagens aéreas subiram quase 10%, e os combustíveis ficaram mais caros, com gasolina, etanol e diesel em alta.

A comida em casa voltou a subir (0,96%), depois de três meses de queda. O frio e as chuvas reduziram a oferta de tomate, batata e cebola. Mais da metade dos 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE ficou mais cara no mês.

Para outubro, há um alívio: a bandeira tarifária da energia é verde, sem cobrança extra na conta.

Mercado revisa inflação para cima

O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com economistas do mercado, divulgado em 13 de outubro, refletiu a piora. A projeção para o IPCA de 2026 subiu de 5,01% para 5,22%, a quarta alta consecutiva. Se confirmada, a inflação do ano vai fechar acima do teto da meta.

Para 2027, a expectativa ficou estável em 4,30%, dentro do intervalo da meta.

Indicador20262027
Inflação (IPCA)5,22%4,30%
Selic no fim do ano13,25%12,00%
Crescimento (PIB)1,85%1,40%
Dólar no fim do anocerca de R$ 5,15R$ 5,26

Fonte: Boletim Focus/Banco Central, 13/10/2026

Juros caem, mas devagar

Apesar da inflação mais alta, o mercado continua apostando em cortes de juros. A Selic está hoje em 13,75% ao ano, depois que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa em 0,25 ponto em setembro.

A projeção para o fim de 2026 caiu de 13,50% para 13,25%. Isso indica a expectativa de mais um corte nas duas reuniões que o Copom ainda faz neste ano. Para o fim de 2027, o mercado projeta Selic de 12%.

Economia cresce menos em 2027

A projeção de crescimento do PIB em 2026 se manteve em 1,85%. Para 2027, porém, o mercado espera uma desaceleração, com alta de apenas 1,40%. O dólar deve fechar o ano perto de R$ 5,15, um pouco abaixo da estimativa anterior.

O que isso significa para o bolso e para as empresas

  • Consumidor: a conta de luz deve dar uma trégua em outubro, mas alimentos e combustíveis seguem no radar;
  • Crédito: os juros caem, mas em ritmo lento. Empréstimos e financiamentos continuam caros;
  • Empresas: com inflação acima da meta e crescimento menor em 2027, o momento pede atenção ao caixa, revisão de preços e cautela com novas dívidas.

O IPCA de outubro será divulgado pelo IBGE em novembro.