Confronto em São Paulo teve casos Master e INSS no centro das acusações e terminou com alerta de bomba no estacionamento da emissora, que se mostrou falso
Por Redação Telebras News | São Paulo, 19 de outubro de 2026
Os candidatos à Presidência no segundo turno se enfrentaram na noite deste domingo (18). O debate foi promovido pela Band, em São Paulo, e reuniu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com mediação de Adriana Araújo e Eduardo Oinegue. O encontro foi marcado por provocações de parte a parte e por algumas intervenções dos mediadores. Os episódios envolvendo “Lulinha” e o filme “Dark Horse” estiveram no centro das discussões, em um clima de bate-boca, acusações cruzadas e perguntas que ficaram sem resposta.
A eleição está apertada. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro ficou com 47,03% dos votos válidos e Lula, com 45,16%. A votação final acontece no domingo, 25 de outubro.
Acusações: caso Master e INSS
Lula pediu explicações a Flávio sobre os R$ 134 milhões negociados com o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. O senador respondeu que já havia esclarecido o assunto e fez elogios ao pai. Flávio, por sua vez, perguntou sobre o encontro de Lula com Vorcaro em 2024. O presidente disse que o governo Bolsonaro “fez” o banqueiro e que ele o levou à prisão. Flávio rebateu que a prisão foi uma decisão do STF e acusou Lula de tentar ficar com o crédito.
Sobre o INSS, Flávio citou a empresária Roberta Luchsinger, que acusou Lulinha de ser seu sócio, e disse que o presidente não deveria defender o filho. Lula afirmou que o filho responde às investigações normalmente e responsabilizou o governo Bolsonaro por ter permitido o esquema. Lula também questionou a ligação de uma empresa de Flávio com o chamado “Careca do INSS”. O senador negou e acusou a campanha adversária de mentir.
Houve ainda um desafio sobre sigilos. Lula propôs que os dois abrissem seus sigilos bancário e telefônico, incluindo os de familiares. Flávio disse não ter nada a esconder, mas não aceitou formalmente a proposta.
Segurança pública
Flávio prometeu classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas, aumentar as penas e abrir mais de 500 mil vagas no sistema prisional. Lula cobrou do rival apoio à PEC da Segurança, criticou os governos estaduais e prometeu criar o Ministério da Segurança Pública caso o Senado aprove a proposta.
Em outro bloco, Flávio defendeu ampliar o reconhecimento facial para todo o país e endurecer punições, sem dar detalhes. Lula citou o programa Celular Seguro, que bloqueia aparelhos roubados, e disse que o adversário repete propostas sem reconhecer o que já existe. Quando Lula lembrou a flexibilização das armas no governo anterior, o senador respondeu: “Aqui é o Flávio, não é o Jair.”
Sobre as saidinhas, Flávio criticou as saídas temporárias e perguntou por que Lula se preocupa com os direitos dos presos e não com os das vítimas. Lula defendeu o benefício para detentos com bom comportamento, mas excluiu os condenados por crimes violentos, estupro e violência contra a mulher.
Saúde e pandemia
Flávio propôs integrar o prontuário eletrônico, usar telemedicina e inteligência artificial no SUS, e anunciou que convidará Cláudio Lottenberg para o Ministério da Saúde. Lula perguntou se a proposta levaria à privatização do SUS e disse que o rival não conhece as unidades públicas.
Sobre a pandemia, Lula criticou o uso da cloroquina, a demora na vacinação e a falta de oxigênio, e afirmou que metade das 716 mil mortes poderia ter sido evitada. Flávio admitiu que a saúde não teve bons resultados no governo do pai, mas defendeu as decisões tomadas. Depois, lembrou que Lula foi vacinado com doses compradas pela gestão Bolsonaro.
Economia, custo de vida e trabalho
Lula destacou a criação do MEI, a ampliação do acesso a bancos e as reservas internacionais acumuladas em seus mandatos, e apontou as economias digital, verde e criativa como prioridades. Flávio atribuiu o endividamento das famílias aos gastos do governo federal e propôs que o poder público compre dívidas dos bancos para renegociá-las.
No crescimento econômico, Lula mencionou o programa Nova Indústria Brasil, os investimentos em data centers e a formação de jovens em engenharia e matemática. Flávio sugeriu plataformas digitais de emprego, tratar o acesso à internet como infraestrutura essencial e transformar a Caixa em um banco de mobilidade social.
Sobre o custo de vida, o senador criticou a alta dos preços e comparou o poder de compra do Bolsa Família hoje com o da época de Bolsonaro. Disse também que mudou de posição sobre o fim da escala 6×1 depois de ouvir trabalhadores. Lula respondeu que os alimentos subiram mais no governo anterior e defendeu reajustes do salário mínimo acima da inflação.
Estados Unidos e Argentina
Lula acusou a família Bolsonaro de pressionar por tarifas contra o Brasil e pediu explicações sobre acordos envolvendo minerais críticos e terras raras. Flávio negou ter atuado a favor das tarifas, disse ter viajado para defender empresas brasileiras e acusou o governo de não ter feito o mesmo. Lula também perguntou se o adversário pretende adotar o modelo argentino, citando dados de pobreza e desemprego do país vizinho. Flávio não respondeu diretamente e rebateu citando Ortega e Maduro como aliados do presidente.
Considerações finais
Nas falas finais, Lula agradeceu aos apoiadores, defendeu estatais fortes e criticou as privatizações da BR Distribuidora e da Eletrobras. Flávio prometeu não fazer promessas que não possa cumprir e reforçou suas propostas do Ministério da Prosperidade e de segurança pública.
Alerta de bomba
No fim do debate, o Gate, grupo de ações táticas da PM paulista, foi chamado por suspeita de bomba em um carro no estacionamento da Band, que seria ligado à equipe de Flávio. Jornalistas e convidados ficaram retidos durante a operação. A varredura não encontrou nada e o local foi liberado.
Próximo encontro
Os candidatos voltam a se enfrentar na sexta-feira, 23 de outubro, na TV Globo, logo após o Jornal Nacional, com mediação de César Tralli.





