Biogás ganha força na indústria e abre nova fronteira de negócios e investimentos em São Paulo

agosto 11, 2026

13º Fórum do Biogás reúne poder público, indústria e setor energético na capital paulista para discutir biometano, descarbonização, infraestrutura e oportunidades bilionárias da economia de baixo carbono.

Por Gabrielle Tricanico | Economia e Negócios | Telebras News

A expansão do biogás e do biometano ganha espaço na estratégia de crescimento da indústria brasileira e abre uma nova frente para investimentos em energia, infraestrutura, transporte, saneamento e gestão de resíduos. O tema estará no centro do 13º Fórum do Biogás, que começa nesta terça-feira (11), às 9h, no São Paulo Expo, na capital paulista.

A cerimônia de abertura terá a participação do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, além de representantes dos governos estadual e federal, do setor produtivo e de órgãos reguladores.

Para empresários e investidores, o avanço do biometano representa mais do que uma pauta ambiental. O combustível renovável pode se tornar uma alternativa para reduzir a dependência de fontes fósseis, diversificar a matriz energética das empresas e diminuir a intensidade de carbono de operações industriais e logísticas.

O potencial econômico também está na integração de diferentes cadeias produtivas. Resíduos provenientes do agronegócio, da indústria de alimentos, de aterros sanitários e do tratamento de esgoto podem ser transformados em energia, criando valor a partir de materiais que anteriormente representavam apenas custo de destinação.

Indústria, transporte e infraestrutura no radar

Entre os participantes previstos para a abertura estão a presidente da ABiogás, Josiani Napolitano; o presidente do Conselho da entidade, Alessandro Gardemann; o CEO da Orizon, Milton Pilão; e o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Artur Watt.

Também integram a agenda o deputado federal Arnaldo Jardim, presidente da Comissão de Transição Energética e Produção de Hidrogênio Verde; a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende; o secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Caldeira; e o diretor-presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges.

A composição evidencia a conexão entre energia, indústria e mobilidade. O desenvolvimento do mercado de biometano depende não apenas da produção do combustível, mas também de investimentos em plantas de tratamento, equipamentos, distribuição, logística, tecnologia, redes de abastecimento e adaptação de frotas e processos industriais.

Para São Paulo, principal centro industrial, financeiro e empresarial do país, essa cadeia pode representar uma oportunidade adicional de atração de capital e desenvolvimento de empresas especializadas em tecnologias ambientais.

Resíduo passa a ser ativo econômico

Um dos movimentos mais importantes dessa nova economia é justamente transformar resíduos em matéria-prima energética. Esse modelo cria oportunidades para empresas de saneamento, resíduos sólidos, agronegócio, transportes, engenharia, máquinas e equipamentos e geração distribuída.

O Fórum também ocorre em um momento em que grandes empresas enfrentam pressão crescente para descarbonizar suas operações e cadeias de fornecedores. Nesse ambiente, fontes renováveis capazes de atender atividades industriais e transporte pesado ganham relevância econômica.

A discussão que começa nesta terça-feira em São Paulo, portanto, ultrapassa a sustentabilidade: envolve competitividade industrial, segurança energética, inovação e novos modelos de negócios.

Para o mercado, a pergunta passa a ser menos sobre se a transição energética acontecerá e mais sobre quais empresas conseguirão transformar essa mudança em investimento, produtividade e receita.