Nova plataforma integra empresas, operadores e órgãos públicos em tempo real e pode reduzir tempo de cargas, burocracia e ineficiências que impactam o custo da operação portuária.
Por Gabrielle Tricanico | ECONOMIA | INFRAESTRUTURA
O Porto de São Sebastião avança na digitalização de sua cadeia logística com potencial para produzir efeitos diretos sobre custos, produtividade e competitividade. A Companhia Docas de São Sebastião colocou em operação o Port Community System (PCS), plataforma que centraliza informações de empresas, operadores, transportadores e órgãos públicos envolvidos nas operações portuárias.
A mudança é relevante do ponto de vista econômico porque, no setor logístico, atrasos, retrabalho, falta de previsibilidade e tempo de permanência de cargas representam custos para empresas e operadores.
Ao concentrar processos e informações em um único ambiente, o PCS busca diminuir essas ineficiências e acelerar decisões.
Tempo também é custo
O sistema permite acompanhar exigências regulatórias, pendências documentais, movimentação terrestre de cargas, acessos e agendamentos, além de indicadores operacionais e de custos.
A expectativa é reduzir o tempo de permanência das cargas no terminal. Economicamente, esse indicador é estratégico: uma operação mais rápida pode melhorar a utilização da infraestrutura, dos equipamentos e dos veículos envolvidos no transporte.
Também aumenta a previsibilidade para empresas que precisam coordenar transporte rodoviário, armazenagem, embarques e desembarques.
Segundo o presidente do Porto de São Sebastião, Ernesto Sampaio, a digitalização deve contribuir para reduzir o tempo das cargas no terminal e aprimorar a tomada de decisão dos participantes da operação.
Mais de mil transações na fase inicial
Os primeiros números indicam a entrada gradual da comunidade portuária no novo ambiente. A plataforma já reúne 50 empresas usuárias, 47 usuários cadastrados e mais de mil transações realizadas.
O desenvolvimento considerou demandas apresentadas pelos próprios participantes da cadeia logística e novas funcionalidades deverão ser incorporadas conforme a utilização do sistema avançar.
Um dos principais ganhos é a rastreabilidade. Cada etapa de uma demanda pode ser registrada digitalmente, permitindo identificar pendências e acompanhar o andamento dos processos.
Competitividade passa pela eficiência logística
A digitalização ocorre em um momento no qual eficiência logística se tornou um componente importante da competitividade empresarial.
Para exportadores e importadores, não basta considerar apenas o preço do transporte marítimo. Custos portuários, deslocamentos terrestres, armazenagem, burocracia e tempo necessário para liberar uma carga também interferem no custo final da operação.
É justamente nesse conjunto de despesas indiretas que ferramentas de integração podem produzir ganhos.
A organização dos agendamentos e do fluxo terrestre também pode reduzir viagens desnecessárias, períodos de espera e consumo de combustível, produzindo efeitos econômicos e ambientais.
São Sebastião busca ganhar eficiência
Para o Porto de São Sebastião, a implantação do PCS representa mais do que uma atualização tecnológica. É uma tentativa de tornar a infraestrutura existente mais produtiva por meio da informação.
Quanto menor a quantidade de gargalos administrativos e maior a capacidade de antecipar problemas, maior pode ser a eficiência de utilização do terminal.
O impacto econômico da plataforma, entretanto, dependerá da expansão da adesão, da integração entre os diferentes agentes e, principalmente, da capacidade de transformar digitalização em redução efetiva de tempo e custos operacionais.
Com a nova ferramenta, São Sebastião entra em uma etapa na qual tecnologia e dados passam a ocupar posição estratégica na disputa por eficiência logística, investimentos e movimentação de cargas.





