Caso envolvendo herança de quotas e administração de uma das padarias mais conhecidas da capital paulista reforça a importância de empresários planejarem previamente a continuidade dos negócios.
Por Gabrielle Tricanico | NEGÓCIOS E EMPREENDEDORISMO | TELEBRAS NEWS
Uma disputa societária envolvendo a Galeria dos Pães, tradicional padaria paulistana fundada em 1999, coloca em evidência um problema que ultrapassa os limites de uma empresa: o risco que a falta de planejamento sucessório pode representar para negócios familiares e sociedades empresariais.
Segundo as informações apresentadas sobre o caso, a empresa foi criada por dois irmãos. Com a morte de um deles, em 2008, sua participação societária passou a integrar a sucessão envolvendo a viúva e dois filhos de relacionamento anterior. O outro irmão permaneceu à frente da administração.
Anos depois, as divergências chegaram ao campo judicial, envolvendo questões como herança das quotas, administração da sociedade, afastamento do administrador e eventual venda do estabelecimento.
Para o ambiente de negócios de São Paulo, o episódio chama atenção porque situações semelhantes podem atingir desde pequenos estabelecimentos comerciais até empresas familiares de grande porte.
SUCESSÃO TAMBÉM É ESTRATÉGIA EMPRESARIAL
Muitos empreendedores concentram o planejamento na abertura da empresa, faturamento, contratação de funcionários, expansão e tributação. A sucessão dos sócios, entretanto, pode ser determinante para a sobrevivência do empreendimento.
Um contrato social bem estruturado pode estabelecer previamente o que acontece com a participação de um sócio em caso de morte, como será calculado o valor das quotas, quais são as condições para ingresso de herdeiros e quem poderá assumir a administração.
A ausência dessas definições aumenta a possibilidade de conflitos entre sócios e sucessores e pode levar decisões estratégicas da empresa ao Judiciário.
PATRIMÔNIO FAMILIAR E EMPRESA PRECISAM DE REGRAS CLARAS
Outro ponto importante para empresários é a separação entre despesas pessoais dos sócios e obrigações da própria sociedade. Regras de governança, limites para decisões administrativas e mecanismos para situações de conflito ajudam a reduzir disputas.
Também é relevante definir critérios objetivos para a avaliação das participações societárias caso um sócio ou seus sucessores deixem a empresa. Dependendo da estrutura da sociedade e do que estiver previsto contratualmente, a entrada de herdeiros na vida empresarial pode não ocorrer automaticamente da maneira imaginada pela família.
UM ALERTA PARA O EMPREENDEDOR PAULISTA
Em São Paulo, onde empresas familiares fazem parte da dinâmica do comércio, dos serviços e da indústria, o caso funciona como exemplo da importância de tratar a sucessão como parte da gestão empresarial — e não apenas como uma questão a ser resolvida depois da morte de um dos proprietários.
Planejar quem poderá administrar, como ocorrerá uma eventual saída, quais serão os critérios para pagamento das quotas e como serão solucionados conflitos pode proteger tanto o patrimônio dos sócios quanto a continuidade da operação.
Para quem constrói uma empresa ao longo de décadas, portanto, a sucessão não começa no inventário. Ela pode começar ainda durante a vida dos fundadores, com governança, contratos e regras capazes de preservar o negócio diante das mudanças familiares.





