Trump pode ter recuado nas tarifas, mas crise está longe de terminar

August 20, 2026

Por Maria Clara Kayatt

O governo de Donald Trump tentou minimizar o caos gerado por sua política comercial agressiva nos últimos dias. A narrativa buscava mostrar uma estratégia sofisticada, colocando a China em desvantagem com tarifas que impactaram severamente sua economia. Mesmo com um recuo parcial, os EUA mantêm uma barreira protecionista inédita desde os anos 1930, aplicando tarifas amplas que afetam praticamente todos os exportadores globais.

A tensão entre Washington e Pequim transformou-se num embate prolongado, com consequências visíveis para o comércio global. Indústrias chinesas enfrentam riscos de fechamento, e o governo de Xi Jinping deverá lançar pacotes de estímulo para mitigar o impacto no PIB. Ao mesmo tempo, consumidores americanos irão sentir os efeitos no bolso, com aumento nos preços – algo que o governo tentará conter, sem sucesso duradouro.

Essa guerra comercial começa a se transformar também em uma disputa cambial. A instabilidade chegou ao mercado de títulos da dívida americana, revelando a vulnerabilidade do governo Trump e preocupações com sua política econômica. A China, maior credora externa dos EUA, poderia reagir, mas isso causaria danos bilaterais.

Enquanto isso, aliados históricos dos EUA, como Reino Unido e União Europeia, são alvo das mesmas tarifas impostas a países em desenvolvimento. A falta de coerência e as reações erráticas do governo americano levaram o mundo a se retrair, desconfiado. Há uma trégua momentânea, mas sua durabilidade é incerta.