DÍVIDA DOS BRASILEIROS AUMENTA E JÁ CONSUME 27% DA RENDA, MAIOR NÍVEL DESDE O INÍCIO DO DESENROLA

August 20, 2026

O crescimento ficou mais evidente a partir de dezembro de 2024, de acordo com dados do Banco Central (BC)

A dívida das famílias brasileiras atingiu 27,2% da renda em fevereiro de 2025, o maior nível desde julho de 2023, quando foi lançado o programa Desenrola. Esse aumento é atribuído ao crescimento da concessão de empréstimos no segundo semestre de 2024 e ao aumento da taxa Selic, que subiu de 10,5% para 14,75% ao ano. Esse cenário levou muitas famílias a recorrerem a modalidades de crédito com juros mais altos, como cheque especial, rotativo do cartão e crédito pessoal.

Além disso, a inflação também impacta o orçamento doméstico. Em abril de 2025, o IPCA acumulado em 12 meses ficou em 5,53%, acima da meta anual de 3%. Os aumentos nos preços de alimentos e serviços como transporte afetam especialmente as famílias mais vulneráveis ao endividamento.

O programa Desenrola, criado para estimular a renegociação de dívidas, teve sucesso inicial, mas a situação piorou após sua primeira fase. De julho de 2023 a fevereiro de 2025, o percentual mais baixo de comprometimento de renda foi de 25,8%, em maio de 2024. Após essa fase, cerca de 70% do aumento no comprometimento de renda foi devido ao aumento do crédito pessoal, uso de cartões e financiamento de veículos. O restante está relacionado ao pagamento de juros, especialmente devido ao aumento da Selic. Embora a renda tenha crescido 9,5% entre maio de 2024 e fevereiro de 2025, as famílias continuaram a contrair dívidas com juros mais altos.

O aumento da dívida das famílias brasileiras é resultado de uma combinação de maior acesso ao crédito, aumento da taxa de juros e inflação elevada, o que compromete ainda mais o orçamento doméstico.