Por Maria Clara Kayatt
O preço do café moído teve uma alta expressiva de 77,78% nos últimos 12 meses até março, segundo o IBGE. Somente em 2025, o aumento já chega a 30%, com avanço de 8% em março frente a fevereiro. Essa escalada é reflexo direto da elevação do preço internacional, causada pela redução da oferta global. O Vietnã, um dos maiores produtores, enfrentou perdas severas por problemas climáticos, e o Brasil também foi afetado, com previsão de queda de 5,8% na produção de grãos nesta safra.
A variedade arábica, responsável por grande parte da produção nacional, deve registrar uma retração de 10,6%, chegando a 35,8 milhões de sacas de 60 kg. Isso se deve à bienalidade negativa – fenômeno que reduz a produção após uma safra alta – agravada por calor extremo e longos períodos de seca em regiões produtoras como Minas e São Paulo. Em muitos casos, os cafeicultores optaram por podas severas nas lavouras, para preservar as plantas e garantir uma recuperação futura.
Além dos fatores climáticos, o aumento do custo logístico – impulsionado por conflitos no Oriente Médio – encareceu os embarques e o transporte por contêineres. O consumo também segue em alta, com a China emergindo como um grande mercado comprador.
A pressão sobre a oferta interna cresce, contribuindo para o encarecimento da bebida no Brasil, que já é o maior produtor e exportador de café do mundo.





