Como Marina Feffer (herdeira da Suzano) já mobilizou US$ 840 milhões em doações de herdeiros

August 20, 2026

Há seis anos, Marina Feffer, a filha caçula do controlador da Suzano, David Feffer, fundou uma comunidade para reunir herdeiros de diversos países dispostos a assumir o compromisso de doar uma parte relevante de suas heranças para o que ela chama de filantropia estratégica.

Desde então, o Generation Pledge, como foi batizada a iniciativa, já conseguiu a adesão de 93 pessoas, de 24 países diferentes. “O Brasil tem 33 famílias e representa 35% da comunidade. E, no total, já temos comprometida a mobilização de US$ 840 milhões”, diz Feffer, que não revela quem são os associados.

Além dela própria, sabe-se que também aderiu ao compromisso o cofundador da iniciativa e seu amigo de muitos anos Sid Efromovich, herdeiro da família que controla a aérea Avianca.

O compromisso funciona assim: herdeiros que já receberam ou que receberão ao menos US$ 10 milhões como herança se comprometem a doar pelo menos 10% do valor para a filantropia nos primeiros cinco anos a partir do recebimento dos recursos.

“Não uma filantropia bobinha, mas uma filantropia estratégica”, diz Feffer. É uma referência à mobilização de capital privado em escala para soluções que aumentem o bem-estar e reduzam o sofrimento das pessoas de forma geral e também combatam os riscos ambientais e sociais a que o mundo está exposto.

“Se a gente continuar fazendo as coisas do jeito que fazemos, não é que a gente corre riscos de um futuro muito pior: é garantido que teremos um futuro drástico. E não para os meus netos, mas para os meus dois filhos”, diz ela, que tem 35 anos. “A pergunta que tenho me feito todos os dias é: estamos confortáveis em falhar, de forma contínua, perante o futuro?”

E continua: “O capital privado é o maior pool de capital disponível no mundo. Então, não só ele vai influenciar mercados e soluções, como vai determinar se a gente vai conseguir ou não fazer as coisas que a gente quer. E não tem bala de prata.”

Ela sabe que só a filantropia não dará conta do enorme recado de moldar um futuro diferente, combatendo desigualdade e crise climática. Assim, quem adere ao movimento assume um segundo compromisso, de mobilizar o que ela chama de ‘policapital’ ou ‘cinto com ferramentas’.

Policapital?

Um deles é o capital econômico propriamente. “É investimento, empresas, para aqueles que ainda têm as empresas operantes, e filantropia.”

O segundo é o capital social. “Que é como a gente usa a nossa voz, o nosso posicionamento na mídia. E como que a gente consegue se conectar a redes e tentar mobilizar essas redes de uma forma muito deliberada.”

O terceiro capital é o político, que contempla fazer advocacy e tentar influenciar as políticas públicas.

O quarto e último capital do cinto de utilidades é o de carreira. “Muitas pessoas que vêm desse ambiente [de famílias de elevado patrimônio] têm uma educação fantástica, mas não direcionam para impacto. Então, como você usa os seus hard skills e também os seus soft skills para tentar mobilizar as suas próprias carreiras [a favor do impacto positivo]?”, questiona ela.