Educação avança, mas exclusão resiste

August 20, 2026

Por Fabi Teixeira:

Pretos e pardos conquistam mais diplomas, mas desigualdade ainda persiste.

O Brasil deu um salto significativo no acesso ao ensino superior nas últimas duas décadas, mas os novos dados do Censo 2022 revelam que a desigualdade racial ainda marca a educação no país. Em 22 anos, a proporção de pretos e pardos com diploma universitário quintuplicou, mas segue sendo menos da metade da registrada entre brancos.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a parcela de pretos com ensino superior completo passou de 2,1% em 2000 para 11,7% em 2022. Entre os pardos, o percentual subiu de 2,4% para 12,3%. Já os brancos avançaram de 9,9% para 25,8%, mantendo uma vantagem histórica.

Especialistas apontam que a expansão do ensino superior, o crescimento da rede pública em regiões periféricas e políticas de financiamento contribuíram para esse avanço. A Lei de Cotas, sancionada em 2012, também impulsionou a inclusão, embora o impacto total nos números ainda seja debatido.

Ainda assim, os dados reforçam que o acesso ao ensino superior no Brasil continua desigual, refletindo desafios estruturais. Enquanto o Distrito Federal lidera o ranking nacional, com 37% da população formada, estados como o Maranhão registram índices bem mais baixos, com apenas 11,1%.

A disparidade de oportunidades também se estende por gênero: 20,7% das mulheres concluíram o ensino superior, contra 15,8% dos homens. A educação brasileira avança, mas o Censo deixa claro que o caminho para a equidade ainda é longo.