Complexo de Olímpia projeta crescimento superior a 10% em 2026, prepara R$ 75 milhões em investimentos, troca o comando executivo e amplia apostas em hotelaria, multipropriedade, tecnologia e turismo corporativo para sustentar uma nova fase de expansão.
Por Gabrielle Tricanico | Telebras News | Negócios, Economia e Turismo
O turismo de lazer no interior de São Paulo está deixando de ser apenas uma atividade ligada à alta temporada para se transformar em uma sofisticada plataforma de investimentos, mercado imobiliário, hotelaria, entretenimento e tecnologia. Um dos exemplos dessa transformação vem de Olímpia, onde o Hot Beach Parques & Resorts traçou como meta alcançar R$ 750 milhões em faturamento em 2026, crescimento superior a 10% na comparação anual.
O movimento ocorre depois de uma forte expansão do negócio. Em 2024, o faturamento havia sido de aproximadamente R$ 520 milhões, enquanto a projeção para 2025 chegou a R$ 650 milhões. Se a meta de R$ 750 milhões for atingida neste ano, o avanço acumulado em dois anos ficará próximo de 44%.
A nova etapa também envolve uma mudança importante de governança. Conforme divulgado nesta terça-feira (11), Sérgio Ney passa o comando executivo para Moisés Mouta, ex-CEO global da Sodexo, em uma transição apresentada como parte do processo de amadurecimento da gestão. A companhia também trabalha com um plano de aproximadamente R$ 75 milhões em investimentos, segundo as informações divulgadas pelo InfoMoney.
Mais do que uma troca de CEO, a movimentação sinaliza uma transformação na dimensão do negócio: o Hot Beach deixa de operar somente com a lógica de parque aquático e hospedagem e avança para um modelo integrado de turismo, entretenimento, ativos imobiliários, eventos corporativos e relacionamento direto com o consumidor.
Expansão vai muito além das piscinas
O complexo atualmente reúne quatro resorts em operação, parque aquático, centro de entretenimento, gastronomia e projetos de multipropriedade. O próximo salto envolve o Hot Beach You, empreendimento que terá aproximadamente 800 apartamentos distribuídos em sete torres, com a primeira fase prevista para 2027.
A multipropriedade é especialmente estratégica porque altera a dinâmica financeira do negócio. Em vez de depender exclusivamente das diárias tradicionais, o grupo comercializa frações imobiliárias que dão ao comprador direito de utilização por determinados períodos.
Os números recentes mostram o peso dessa vertical. Em julho de 2025, o Hot Beach Residence Club registrou mais de R$ 60 milhões em vendas brutas de multipropriedade. Naquele momento, a base já chegava a 17 mil clientes ativos nos projetos Hot Beach You e Hot Beach Suítes.
Isso cria diferentes fontes de receita dentro de um mesmo ecossistema: hospedagem, ingressos, alimentação, entretenimento, venda de propriedades compartilhadas, eventos e consumo dentro dos empreendimentos.
Tecnologia entra no centro da estratégia
Outro ponto relevante para investidores e empresários está na digitalização comercial.
O Hot Beach vem utilizando inteligência artificial, CRM, dados proprietários e automação para aumentar as vendas realizadas diretamente com os consumidores. Segundo levantamento publicado pelo Hotelier News, a estratégia ajudou a elevar em 93% as vendas diretas do complexo.
O resultado tem impacto econômico importante. Quanto maior a venda direta, menor tende a ser a dependência das grandes plataformas intermediárias de reservas — as chamadas OTAs — e, consequentemente, maior pode ser o controle da empresa sobre margens, dados dos hóspedes e estratégias de fidelização.
O grupo também experimentou novos formatos comerciais. Em julho de 2025, uma ação de live commerce movimentou R$ 1 milhão em vendas em apenas uma hora, mostrando como ferramentas tradicionalmente associadas ao varejo digital começam a ganhar espaço também na hotelaria.
Turismo corporativo vira nova avenida de crescimento
A expansão não está concentrada somente nas famílias que visitam Olímpia durante férias e feriados.
O Hot Beach está avançando sobre o mercado MICE — segmento formado por reuniões, viagens de incentivo, conferências e grandes eventos empresariais. A estratégia inclui um novo centro de convenções com capacidade técnica para aproximadamente 2 mil pessoas sentadas.
Essa frente tem uma lógica econômica importante: reduzir a sazonalidade.
Enquanto o turismo familiar tende a se concentrar em férias escolares, feriados e finais de semana, congressos e convenções podem ocupar apartamentos e movimentar restaurantes e estruturas de entretenimento durante períodos tradicionalmente menos aquecidos.
Para Olímpia, isso significa transformar um destino conhecido principalmente pelos parques aquáticos em um polo capaz de disputar também eventos empresariais nacionais.
Mais de R$ 100 milhões no horizonte
O ciclo de investimentos deve continuar além de 2026. O Grupo Ferrasa, controlador do empreendimento, possui planos de destinar mais de R$ 110 milhões ao parque aquático até 2031, incluindo novas áreas de lazer, ampliação da área molhada e outros projetos.
A estratégia revela uma tendência importante da economia do turismo: grandes destinos estão se tornando ecossistemas de consumo, nos quais o visitante não compra somente uma hospedagem, mas uma sequência de experiências dentro da mesma operação.
Nesse modelo, hotelaria, gastronomia, entretenimento, imóveis, eventos e tecnologia passam a funcionar de maneira integrada.
Para o mercado, o avanço do Hot Beach também mostra a força que cidades médias do interior paulista podem assumir na economia de serviços. Olímpia deixa de disputar somente turistas e passa a atrair capital, empreendimentos imobiliários, mão de obra especializada, fornecedores e eventos corporativos.
A meta de R$ 750 milhões, portanto, representa mais do que um número de faturamento. Ela coloca em evidência um modelo empresarial no qual o turismo se transforma em uma cadeia de negócios capaz de movimentar diferentes setores da economia regional.





