Marcas recuam na diversidade

August 26, 2026

Queda nos patrocínios de eventos LGBTQIAPN+, negros e periféricos levanta dúvidas sobre o compromisso permanente das empresas com essas comunidades.

O investimento de grandes marcas em eventos ligados à diversidade vem diminuindo no Brasil. A Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ de São Paulo, que contou com 19 patrocinadores em 2024, chegou aos 30 anos, em 2026, com apenas quatro marcas apoiadoras.

A retração também atingiu a Feira Preta, que alcançou R$ 13 milhões em captação em 2024, mas não realizou sua edição paulistana em 2025, e iniciativas culturais da periferia, como o Pagode da 27.

O recuo aparece ainda na publicidade. Levantamento da Buzzmonitor mostra que pessoas LGBTQIAPN+ estiveram em somente 0,4% das publicações dos 20 maiores anunciantes do país. Pessoas negras apareceram em 32,5% dos conteúdos, embora pretos e pardos representem 55% da população brasileira.

O contraste está no engajamento: publicações com diferentes recortes de diversidade alcançam, em média, quase 30% mais interações orgânicas. Para organizadores e especialistas, os números indicam que muitas empresas trataram a diversidade como uma pauta sazonal, abandonando compromissos quando o ambiente político e econômico se tornou menos favorável. A cobrança agora é para que a inclusão deixe de aparecer apenas em campanhas e datas comemorativas e passe a integrar, de forma permanente, as estratégias de gestão e de negócios.