Empresa aérea busca justiça para renegociar dívidas de r$ 209 milhões, oito meses depois de tragédia que deixou 62 mortos em vinhedo, no interior de São Paulo
A companhia aérea regional Voepass, anteriormente conhecida como Passaredo, entrou com pedido de recuperação judicial, enfrentando dívidas que somam R$ 209 milhões — valor que ultrapassa R$339 milhões ao incluir passivos não contemplados no processo. A empresa atribui sua crise financeira à Latam, sua principal parceira comercial, acusando-a de exercer controle excessivo sobre suas operações e de reter pagamentos devidos.
A relação entre Voepass e Latam, iniciada em 2014 por meio de um acordo de codeshare, evoluiu para uma dependência significativa. Em 2023, a Latam passou a adquirir com exclusividade a capacidade dos voos operados pela Voepass em determinadas rotas, assumindo o controle comercial total desses voos, incluindo a venda de passagens e definição de rotas. Além disso, concedeu um empréstimo de R$121 milhões à Voepass, impondo cláusulas que exigiam sua autorização para decisões internas da empresa.
A situação se agravou após um acidente em agosto de 2024, quando uma aeronave da Voepass caiu em Vinhedo, interior de São Paulo, resultando na morte de 62 pessoas. Após o incidente, a Latam suspendeu a operação de quatro aeronaves ATR da Voepass utilizadas nos voos compartilhados e, segundo a Voepass, reteve pagamentos de aproximadamente R$35 milhões, com acréscimos mensais de R$8 milhões. Essas ações levaram a uma disputa judicial, com a Voepass iniciando um processo de arbitragem contra a Latam no Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem (CBMA).
Em março de 2025, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) suspendeu as operações da Voepass devido a preocupações com a segurança, agravando ainda mais sua situação financeira. A empresa busca, por meio da recuperação judicial, reestruturar suas dívidas e retomar parte das operações, visando preservar empregos e garantir o mínimo de receita.





