Mulheres ganham 20% menos que homens no Brasil — e disparidade é ainda maior para negras

August 22, 2026

Por Fabi Teixeira

Relatório de Transparência Salarial aponta que desigualdade de gênero persiste em 2024, especialmente nos cargos de liderança e entre mulheres negras.

Mesmo com o aumento da participação feminina no mercado de trabalho, a desigualdade salarial entre homens e mulheres permanece significativa no Brasil. Em 2024, as brasileiras receberam, em média, 20,9% a menos que os homens, segundo o 3º Relatório de Transparência Salarial e Igualdade Salarial, divulgado pelos ministérios da Mulher e do Trabalho e Emprego.

A diferença salarial pouco mudou em relação a 2023 (20,7%) e 2022 (19,4%). Hoje, os homens têm remuneração média de R$ 4.745,53, enquanto as mulheres recebem R$ 3.755,01. A situação é ainda mais crítica para mulheres negras, que ganham em média R$ 2.864,39 – 52,5% a menos que homens não negros.

Nos cargos de alta gestão, como diretorias e gerências, a desigualdade é ainda mais acentuada: mulheres recebem 26,8% a menos que homens. Quando se trata de mulheres com nível superior, a defasagem salta para 31,5% em relação a homens com a mesma formação.

Apesar da desigualdade persistente, o relatório traz avanços. O número de mulheres negras no mercado aumentou de 3,2 milhões para 3,8 milhões, e houve redução nas empresas com menos de 10% de profissionais negras contratadas.

A ministra da Mulher, Cida Gonçalves, defende mudanças estruturais: “A empresa que investe em mulheres ganha. Precisamos repensar desde o trabalho de cuidado até a mentalidade corporativa.”

Segundo o estudo, R$ 95 bilhões poderiam ter sido injetados na economia brasileira em 2024 se mulheres tivessem o mesmo salário dos homens nas mesmas funções.