Por Fabi Teixeira
Decisão de trégua parcial na guerra comercial com a China alivia tensão global e impulsiona mercados ao redor do mundo
O dólar comercial encerrou esta quarta-feira (9/4) em forte queda de 2,54%, cotado a R$ 5,8452, após alcançar a máxima de R$ 6,0961 durante o dia. A virada veio após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar a suspensão por 90 dias das novas tarifas acima de 10% aplicadas a países fora do conflito direto com a China.
A trégua parcial na escalada tarifária entre EUA e China acalmou os mercados e impulsionou bolsas ao redor do mundo. O Ibovespa subiu mais de 3%, enquanto os índices americanos dispararam: Dow Jones (7,87%), S&P 500 (9,51%) e Nasdaq (12,16%). Mercados asiáticos e da Oceania também abriram em forte alta.
A disparada do dólar nos últimos dias refletia o agravamento da guerra comercial iniciada em 2 de abril, quando Trump anunciou tarifas globais de 10%, com punições extras a países com déficit com os EUA — a China, por exemplo, foi taxada em 34%, retaliando em mesmo nível e, depois, elevando a resposta para 84%. Trump chegou a anunciar tarifas de até 125% contra os chineses.
Segundo especialistas, o alívio no câmbio é temporário. O real, que vinha entre as moedas mais desvalorizadas, sofre mais por três fatores: a facilidade de entrada e saída de capital, problemas estruturais internos e a forte dependência econômica da China.
Enquanto isso, moedas fortes como o euro, o iene e o franco suíço têm se valorizado frente ao dólar, com investidores buscando alternativas ao Tesouro americano diante da instabilidade.
O que esperar?
Analistas preveem dólar entre R$ 5,80 e R$ 5,90 no fim do ano, mas alertam para a imprevisibilidade do cenário atual.
Um acordo entre China e EUA poderia trazer alívio rápido ao câmbio. Caso contrário, há risco de uma crise prolongada, comparável à de 2008.





