Exportação de gado vivo dispara, preço bate recorde e Brasil caminha para faturamento histórico em 2026

September 2, 2026

Com valorização do animal embarcado e crescimento acelerado das vendas externas, negócio já movimentou mais de US$ 900 milhões até julho. Projeções apontam para receita próxima de US$ 1,6 bilhão no ano, enquanto Oriente Médio, Norte da África e Ásia sustentam a demanda internacional.

Por Gabrielle Tricanico | Telebras News | Negócios & Exportação

A exportação brasileira de gado vivo entrou em 2026 em um novo patamar de negócios. O país combina crescimento do número de animais embarcados, forte valorização do preço por cabeça e avanço expressivo da receita, cenário que pode levar o setor a encerrar o ano com o maior faturamento de sua história.

Entre janeiro e julho, foram exportadas 743,7 mil cabeças de bovinos, crescimento de 30,3% sobre as 570,9 mil registradas no mesmo período de 2025. É o maior volume já observado para os sete primeiros meses de um ano desde o início da série histórica, em 1997.

O dado que mais chama atenção do ponto de vista empresarial, porém, está no preço. Em julho, o valor médio do bovino exportado chegou a US$ 1.516,66 por cabeça, maior cotação da série histórica. O resultado ocorreu justamente em um mês de redução do volume embarcado, indicando que a valorização do produto brasileiro conseguiu compensar parcialmente a retração física das vendas.

Receita cresce muito acima do volume

A dimensão financeira revela uma transformação ainda mais relevante. Segundo levantamento da Scot Consultoria com dados da Secex, as exportações de gado vivo acumularam aproximadamente US$ 932,3 milhões até julho, avanço de 74% sobre os US$ 535,9 milhões registrados no mesmo intervalo de 2025.

Isso significa que a receita está crescendo em velocidade muito superior ao número de animais exportados: enquanto o volume avançou 30,3%, o faturamento aumentou 74%.

Para o negócio, essa diferença é fundamental. O Brasil não está apenas colocando mais bovinos nos navios — está conseguindo capturar mais dólares por animal exportado, ampliando o valor econômico da operação e fortalecendo uma cadeia que envolve pecuaristas, compradores internacionais, empresas exportadoras, transportadoras, portos, operadores marítimos e prestadores de serviços.

Dados consolidados da balança comercial também mostram a força da categoria mais ampla de animais vivos: as exportações alcançaram cerca de US$ 1,02 bilhão entre janeiro e julho, contra US$ 608,19 milhões no mesmo período de 2025, expansão de 67,82%.

Agosto pode recolocar volume perto do recorde

Depois de junho registrar 136,8 mil bovinos exportados, julho apresentou desaceleração, com 67,6 mil cabeças. Mesmo assim, julho ainda foi o quarto melhor mês equivalente da série histórica.

A perspectiva para agosto voltou a apontar aceleração. A estimativa apresentada pela Scot Consultoria é de mais de 120 mil animais embarcados no mês, volume que colocaria agosto entre os dois maiores resultados mensais da série e próximo do recorde de 125,4 mil cabeças registrado em agosto de 2024.

Um dos sinais está nos portos. O levantamento identificou dez navios transportadores de bovinos em fundeio no Porto de Vila do Conde, no Pará, além de outro atracado, com capacidade conjunta estimada em aproximadamente 64,5 mil animais.

Brasil pode alcançar US$ 1,58 bilhão

Se a projeção para agosto se confirmar, o Brasil chegaria a aproximadamente 864 mil bovinos exportados nos primeiros oito meses de 2026, equivalente a 82,2% de todo o volume comercializado internacionalmente durante 2025.

Em um cenário no qual os quatro últimos meses do ano apenas repetissem o desempenho registrado no mesmo período de 2025, o país poderia encerrar 2026 perto de 1,26 milhão de cabeças exportadas.

Mantido o preço médio de 2026, estimado em US$ 1.253,71 por cabeça, a receita anual poderia atingir aproximadamente US$ 1,58 bilhão, crescimento projetado de 51,3% frente aos US$ 1,05 bilhão de 2025.

Oriente Médio amplia importância estratégica

O avanço também evidencia a importância da diversificação dos mercados compradores. Países do Oriente Médio, Norte da África e Ásia estão entre os destinos relevantes do gado vivo brasileiro, com destaque para mercados como Turquia, Marrocos e Iraque.

Além da demanda para produção de carne e sistemas de confinamento, existem oportunidades relacionadas à reprodução animal. Desde 2025, por exemplo, a Turquia também abriu mercado para bovinos vivos brasileiros destinados à reprodução.

Esse movimento transforma a exportação de animais vivos em uma frente cada vez mais estratégica do agronegócio. O negócio gera receita em moeda estrangeira, amplia alternativas comerciais para pecuaristas e aumenta a integração da cadeia brasileira aos mercados internacionais.

O que está em jogo para o mercado

O desempenho de 2026 mostra uma combinação rara: recorde de preço, expansão do volume acumulado e crescimento de receita muito superior ao avanço físico das exportações.

Para empresas e investidores ligados à cadeia pecuária, o próximo ponto de atenção será saber se essa valorização consegue permanecer durante o último quadrimestre. Se volume e preço continuarem elevados simultaneamente, 2026 poderá deixar de ser apenas um ano de expansão para se tornar um novo marco financeiro da exportação brasileira de gado vivo.