Novo produto chega ao mercado brasileiro em setembro e revela estratégia da companhia para capturar consumidores que buscam reduzir açúcar e estimulantes; avanço das versões zero abre novas oportunidades para indústria, varejo e food service
Por Gabrielle Tricanico | NEGÓCIOS & BUSINESS | BRASIL
A Coca-Cola prepara para setembro o lançamento no Brasil da Coca-Cola Zero Açúcar e Zero Cafeína, movimento que amplia a atuação da companhia em um dos mercados mais estratégicos para a marca no mundo. Mais do que a chegada de uma nova bebida às prateleiras, a iniciativa sinaliza uma disputa empresarial por novas ocasiões de consumo e por um consumidor cada vez mais atento à composição dos produtos.
A nova versão combina duas características importantes dentro dessa estratégia: elimina o açúcar e também a cafeína. Na prática, a companhia passa a trabalhar com um produto capaz de alcançar consumidores que já migraram para refrigerantes sem açúcar, mas que também procuram limitar a ingestão de estimulantes, principalmente no período noturno.
Brasil ganha peso na estratégia global da Coca-Cola
A escolha do país tem dimensão comercial relevante. Segundo as informações divulgadas, o Brasil já ocupa a posição de maior mercado mundial de Coca-Cola Zero e é o quarto maior mercado da Coca-Cola Company.
Esse tamanho transforma o consumidor brasileiro em uma espécie de termômetro para novas estratégias dentro da categoria. O lançamento também coloca o Brasil entre os primeiros mercados da América Latina a receber a nova variante.
Para a indústria de bebidas, ampliar o portfólio sem necessariamente criar uma nova marca é uma estratégia que permite explorar a força de um produto já consolidado, ocupar mais espaço nos pontos de venda e atender diferentes momentos de consumo.
Mercado de refrigerantes sem açúcar avança
Os números ajudam a explicar a decisão empresarial. Dados da Scanntech mencionados na publicação apontam que o volume de refrigerantes sem açúcar comercializado no varejo brasileiro cresceu 18,8% entre janeiro e agosto de 2025, em comparação com o mesmo período anterior.
A participação desses produtos no total da categoria teria avançado de 17% para 21,4%.
O crescimento indica uma transformação importante para fabricantes, distribuidores e varejistas: o segmento zero deixa progressivamente de ocupar apenas um nicho complementar e ganha peso dentro do faturamento da categoria.
Nova ocasião de consumo pode significar novo faturamento
Do ponto de vista de negócios, retirar também a cafeína pode permitir que a Coca-Cola avance sobre uma ocasião de consumo que apresenta limitações para parte do público: a noite.
Ao oferecer simultaneamente uma bebida sem açúcar e sem cafeína, a empresa amplia as possibilidades de posicionamento em restaurantes, delivery, supermercados, lojas de conveniência e consumo doméstico.
A estratégia também pode gerar reflexos para toda a cadeia. Quanto maior a segmentação do portfólio, maior tende a ser a disputa por espaço em gôndolas, refrigeradores, aplicativos de entrega e cardápios do food service.
Para pequenos e médios empreendedores do setor de alimentação, acompanhar esse tipo de mudança também se torna importante. Novos hábitos de consumo podem alterar o mix ideal de bebidas oferecido por restaurantes, hamburguerias, pizzarias, bares, hotéis e operações de delivery.
Tendência vai além da Coca-Cola
O lançamento reforça uma transformação mais ampla da indústria de alimentos e bebidas: as grandes marcas estão buscando crescimento por meio da segmentação.
Produtos tradicionais passam a ganhar versões adaptadas a diferentes perfis — sem açúcar, sem cafeína, com menos calorias ou outras características específicas. Para as companhias, a estratégia permite aumentar a variedade dentro de marcas que já possuem reconhecimento e distribuição consolidados.
No caso da Coca-Cola, o Brasil reúne escala, forte presença da versão Zero e uma extensa rede de distribuição. A chegada da Zero Açúcar e Zero Cafeína, portanto, será também um teste importante sobre até onde a indústria consegue ampliar uma marca tradicional criando novas ocasiões de consumo.





