Justiça dos EUA abre caminho para mais de 3 mil processos contra Meta, Google e TikTok

August 15, 2026

Decisão permite o avanço de mais de 3 mil processos e amplia o risco jurídico sobre modelos de negócio baseados em engajamento e algoritmos.

Uma decisão da Corte de Apelações do 9º Circuito dos Estados Unidos abriu caminho para o avanço de mais de 3 mil ações judiciais contra algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo. Meta, Google, TikTok, Snap e Roblox são acusadas de desenvolver plataformas com recursos capazes de estimular o uso compulsivo, especialmente entre crianças e adolescentes.

As companhias tentavam interromper os processos com base na Seção 230 da legislação norte-americana, dispositivo que limita a responsabilidade das plataformas pelo conteúdo publicado por terceiros. O tribunal, porém, entendeu que essa proteção funciona como argumento de defesa durante o andamento das ações, e não como imunidade automática capaz de impedir os processos antes do julgamento.

Segundo a decisão, o recurso apresentado pelas empresas foi prematuro. Com isso, as ações reunidas em um megaprocesso na Justiça da Califórnia poderão seguir para as próximas etapas.

As acusações não se concentram apenas no conteúdo publicado pelos usuários. Famílias, escolas e autoridades estaduais questionam o próprio desenho dos produtos digitais, incluindo mecanismos como rolagem infinita, reprodução automática, notificações e sistemas de recomendação destinados a prolongar o tempo de permanência nas plataformas.

Para o mercado de tecnologia, a decisão amplia um debate estratégico: até onde vai a responsabilidade das empresas pelos efeitos provocados por algoritmos e funcionalidades desenvolvidos internamente?

O avanço das ações pode elevar custos jurídicos, estimular novos acordos e pressionar as companhias a revisar sistemas de recomendação, políticas de proteção de menores e métricas de engajamento. Também pode influenciar a regulação de plataformas digitais em outros mercados.

A decisão não representa uma condenação definitiva das empresas, mas enfraquece, neste estágio, uma das principais barreiras jurídicas utilizadas pelo setor. As plataformas ainda poderão apresentar suas defesas ao longo dos processos.

O caso marca uma mudança relevante na gestão de risco das big techs: recursos criados para aumentar audiência, retenção e receita passam a ser avaliados também como possíveis fontes de responsabilidade empresarial.